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	<title>Brazil 9000</title>
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	<description>A 9000km human powered voyage across Brazil</description>
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		<title>No Brasil Selvagem</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2013 10:36:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>administrator</dc:creator>
				<category><![CDATA[Guest Features]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>

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		<description><![CDATA[Gareth e Aaron entraram em uma das aventuras mais incríveis que já ouvi na vida: atravessar sem transporte motorizado o Brasil do ponto mais extremo do Norte (que não é mais porra nenhuma no Oiapoque, e sim Caburaí) até o Chuí, este sim ainda o ponto mais extremo Sul do País. Naquele momento eles estavam em Belém após sair de Caburaí e chegar de canoa, remando, a Santarém. Canoa, isso mesmo que você leu.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="SeRasgum Brazil9000 No Brasil Selvagem" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/04/SeRasgum-Brazil9000.jpg" width="604" height="453" title="No Brasil Selvagem" /></p>
<p>Por Marcelo Damaso<br />
<span style="color: #008000;"><a href="http://www.cartasuruguaias.com.br/" target="_blank"><span style="color: #008000;">www.cartasuruguaias.com.br</span></a></span></p>
<p><em>Belém do Pará, 26 de março de 2013</em></p>
<p>Quando assisti ao filme “Into the wild”, em 2008, estava no meio de um processo que considerei fundamental para minha entrada nos 30 anos, uma grande virada na minha vida. Experimentava um período sabático em Montevidéu, dedicado ao auto-conhecimento e ao “projeto Iracundo” — meu livro ainda não lançado. Naquele ano estava deixando para trás uma vida que me conduzia a uma morte lenta e sem graça, trancafiado em redações de jornais, freelancers sem tesão e uma <span style="color: #008000;"><a href="http://www.serasgum.com.br" target="_blank"><span style="color: #008000;">Se Rasgum</span></a></span> ainda não embalada…</p>
<p><span id="more-4296"></span></p>
<p>Durante esse período, o dinheiro das horas extras acumuladas com o adicional noturno, ferias vencidas e a porra toda me garantia alguns luxos na capital uruguaia. Um deles era ir a São Paulo visitar os amigos e sair andando por ali sem rumo. Numa dessas tardes entrei no cinema para assistir ao filme de Sean Penn.</p>
<p>Saí tocado pela história real e sensível dirigida pelo ex-Madonna’s puncher achando que aquilo tudo fazia sentido na minha vida naquele momento. Liguei pra minha mãe e disse “vende o carro, vou esticar minha epopeia pelo velho mundo”. Alaska não, né? Sou doido mas quero ar condicionado, avião, taxi e black label. Minha mãe chorou e disse que estava com saudades e que não ia vender meu carro porra nenhuma. Amamãezei e deixei de lado aquela idéia. Voltei para Belém e agora minha vida não é mais aquele suicídio a longo prazo de outrora.</p>
<p>Tudo isso para falar de Gareth Jones, um inglês que conheci há algumas semanas, coincidentemente, em um arremedo de boteco inglês em Belém. Acompanhado de um amigo igualmente louco, Aaron, os dois entraram em uma das aventuras mais incríveis que já ouvi na vida: atravessar sem transporte motorizado o Brasil do ponto mais extremo do Norte (que não é mais porra nenhuma no Oiapoque, e sim Caburaí) até o Chuí, este sim ainda o ponto mais extremo Sul do País. Naquele momento eles estavam em Belém após sair de Caburaí e chegar de canoa, remando, a Santarém. Canoa, isso mesmo que você leu.</p>
<p>Daqui a pouco eles retomam a saga de Santarém e chegam em Belém para ir andando (!) até o Rio de Janeiro (!), depois de bicicleta (!) até o Chuí (!, ! e !).</p>
<p><a href="http://brazil9000.com/no-brasil-selvagem/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p>Acompanhados de uma mochila cada um, apenas com o necessário — e uma canoa que desmonta e vira outra mochila, Aaron e Gareth remaram por quilômetros e quilômetros Amazônia abaixo, dormiam em pequenas comunidades ribeirinhas, acampavam perto de onças e estiveram expostos a toda a selvageria da Amazônia.</p>
<p>Quando me mostrava vídeos e dava mais detalhes da aventura, Gareth falava de outros casos de Forrest Gumps que também já haviam feito um percurso parecido mas começando em Oiapoque. Apenas dois, <span style="color: #008000;"><a href="http://www.oiapoqueaochui.com" target="_blank"><span style="color: #008000;">um de bicicleta</span></a></span> e outro <span style="color: #008000;"><a href="http://www.carlosdiasultra.com.br/p/projetos-release.html" target="_blank"><span style="color: #008000;">correndo</span></a></span>. Sobre este último, Gareth comenta “esse é um louco!”. Certo, as pessoas normais vão de canoa, andando e de bicicleta, né?</p>
<p>Eu disse a Gareth que ele era louco, quando ele me respondeu: “loucura era o que eu estava fazendo na Inglaterra, trabalhando num emprego que odiava (Bolsa de Valores) e vendo minha vida passar diante dos meus olhos”. Nesse momento dei um sorriso de cumplicidade, entendi o que também me levou a passar um tempo no Uruguai e comparei as condições, me achando um tremendo bunda mole.</p>
<p>O dois registram em vídeo (em imagens belíssimas) tudo o que estão vivendo. Aaron prestava serviços ao Discovery Channel, nos Estado Unidos, e o objetivo é transformar toda essa viagem em uma série de TV. Em muitas de suas paradas eles fazem o upload de todo o material gravado, já contando com um eventual imprevisto ou surpresas dessa brasilidade toda em que resolveram mergulhar.</p>
<p><a href="http://brazil9000.com/no-brasil-selvagem/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p> </p>
<p><strong>Pergunto a Gareth sobre sua segurança e ele me diz: “estamos nas mãos do povo”. Nesse momento entendo mais ainda o quanto esse “projeto de vida” é importante. Além de dar à dupla uma experiência de vida verdadeiramente rica em todos os sentidos (pelo menos os que importam), ainda levanta questões sobre cidadania, humanismo, amizade, solidariedade e comportamento. Será que o Brasil, de Norte a Sul, está pronto para colaborar com essa jornada? Eu só torço pelos gringos e para que sua história chega ao maior número possível de pessoas.</strong></p>
<p>- Marcelo Damaso</p>
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		<title>125 dias na Amazônia</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Mar 2013 15:36:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Portugues]]></category>

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		<description><![CDATA[Um amigo próximo perguntou-me, antes de partir, por que exatamente nós fazíamos aquela viagem, e quanto mais eu pensava sobre uma resposta sincera, mais a minha mente dava um branco. Não é muito bom quando você está colocando a sua vida e cada centavo que você possui para trás de alguma coisa. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center">
<p align="center"><img style="font-size: 13px; line-height: 19px;" title="Brasil-9000-Gareth-Jones-Aaron-Chervenak-Caburai-Chui" alt="IMG 6420 nemo Web 820 620x413 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/11/IMG_6420-nemo-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>Um amigo próximo perguntou-me, antes de partir, por que exatamente nós fazíamos aquela viagem, e quanto mais eu pensava sobre uma resposta sincera, mais a minha mente dava um branco. Não é muito bom quando você está colocando a sua vida e cada centavo que você possui para trás de alguma coisa. Não estávamos fazendo isso para arrecadar dinheiro para a caridade e, portanto, eu não queria colocar isso, de forma falsa, no topo da nossa agenda. Eu amo o Brasil de paixão desde a primeira chegada há quase 10 anos. Mas por que exatamente? As pessoas perguntam, e perguntam… Eu não poderia dar uma explicação mais profunda. O que nos levou a fazer tamanho compromisso e o que continuou a conduzir-nos tão fortemente em momentos baixos, cansativos e solitários? A maior viagem está, realmente, “dentro”, e parecia que só com o tempo começaríamos a desvendar a verdade…</p>
<p><span id="more-4241"></span></p>
<p><iframe style="font-size: 13px; line-height: 19px; border: 2px solid #333333; background-color: #ffffff;" src="http://yb.tl/brazil9000" height="500" width="620" frameborder="no" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="yes"></iframe></p>
<p>As camisetas perfeitamente dobradas e as calças high-tech de secagem rápida estão, agora, com manchas verdes do mofo tropical, que parecem estar lentamente se transformando de bolinhas em bolhas gigantes. As camisetas estão rasgadas nos ombros por causa dos 2.300 quilômetros remando. Na semana passada, remamos para a cidade de Santarém — 125 dias em nossa viagem. Assim como o mofo e os rasgos, a nossa pequena linha no mapa do Brasil também cresceu.</p>
<p>Nós registramos nossa posição diária e, ao olhar para trás, nas nossas trilhas no mapa, vem um sentimento de realização acompanhado por ondas trêmulas de espanto por conta de toda a distância que temos que percorrer até a fronteira com o Uruguai (pelo menos mais um ano). Tanto tempo planejando, sonhando e ponderando sobre mapas foi traduzido em algo real e aqui estamos hoje, no meio de tudo o que planejamos e preparamos, não querendo, em nenhum momento, que nossas vidas estivessem diferentes.</p>
<p>Nós temos enfrentado muitas enrascadas, mas podemos relatar que estamos em boas condições, guardando com segurança alguns terabytes de filmagens com nosso equipamento até em períodos de chuva. Houve momentos em que as coisas poderiam desmoronar bem debaixo de nossos pés e deixar-nos refletindo por anos sobre o fracasso, porém, nós conseguimos superá-los e remamos.</p>
<p><a href="http://brazil9000.com/125-dias-na-amazonia/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p>Mantivemos o estresse físico controlado, definindo metas razoáveis de distância diária, embora isso não impedisse a inevitável tensão de estarmos trancados 24 horas por todos os dias um com o outro, por tanto tempo. Eu não poderia imaginar uma amizade mais estreita que a nossa, mas ela tem sido testada, e nós temos que trabalhar duro para trazê-la de volta.</p>
<p>Estamos gastando quantias anormais de tempo na companhia do outro e tomando decisões várias vezes ao dia que afetam nossa segurança e o futuro da expedição. Duas pessoas para uma democracia complicada e sem tempo para discussão, onde um de nós tem de recuar e tentar o seu melhor para não julgar o outro em retrospectiva. Um “eu avisei” numa situação tensa seria suficiente para puxar o nosso tapete. “Papel, tesoura, pedra”, infelizmente, não podem ser confiados em decisões de tamanha dimensão, mas ajudam a resolver disputas menores, como quem fica com o lugar na rede, embora o Aaron permaneça invencível nesse jogo e, por isso, estou cada vez mais relutante em jogá-lo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3295" title="Brasil-9000-aventura-amazonia" alt="IMG 7622 Web 820 620x413 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/11/IMG_7622-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>Nossa “força humana” tinha nos impulsionado para a remota selva da fronteira do Brasil com a Guiana, para vários rios (Rio Maú, Rio Tacutu, Rio Branco, Rio Negro) e, finalmente, para o próprio Rio Amazônas. Esperamos que nossos corpos continuem a percorrer as vastas distâncias que virão. Entretanto, através de nossas experiências com o povo amazonense, conhecido como caboclo ou ribeirinho, o conceito de viagem através da “força humana” tomou uma nova dimensão. Sem a amizade, o alimento e o abrigo oferecido por esses humanos companheiros, nós poderíamos ter parado. Conhecemos uma maçã podre ou duas e, provavelmente, encontraremos mais dela no futuro, mas isso não mancha o que, até agora, tem sido um ritmo de novas amizades.</p>
<p><img class="size-medium wp-image-4010 alignnone" title="Brazil-9000-Expedition-Aaron-Chervenak-Gareth-Jones" alt="Brazil 9000 Busted 620x413 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Busted-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>Foram noites incontáveis nas quais remamos até barracos à beira de rios com tempestade e escuridão, e nossa segurança apoiada apenas na compreensão e na bondade de estranhos que nos olhavam, hesitantes, através das janelas. Se eles estavam assustados por causa de dois gringos imundos em um navio estranho, nós saíamos remando durante a noite até encontrarmos um lugar para acamparmos, correndo risco numa terrível tempestade, no escuro, em nossa pequena canoa, e sendo presas fáceis para os piratas noturnos do rio.</p>
<p>Se eles nos recebessem, teríamos uma noite seca, comendo e trocando histórias à luz de velas, sendo mandados embora com um adeus triste na manhã seguinte ou, muitas vezes, alguns dias depois. Raramente eles aceitavam dinheiro pelo maracujá, abacaxi, peixe, mel silvestre e farinha de que eles enchiam nossa canoa. Felizmente, e como testemunho do espírito brasileiro, quase sempre éramos bem-vindos.</p>
<p>“Meu Deus! Vocês remaram todo o caminho desde lá?” Era a história de nossa aventura que abria as nossas portas e, vivendo no rio, tínhamos mais em comum com os nossos anfitriões do que havíamos imaginado.</p>
<p><a href="http://brazil9000.com/125-dias-na-amazonia/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p>Força humana nessa forma de bondade e compreensão não vinha só dos caboclos do rio, mas de estranhos do mundo todo que doam para a nossa expedição através do nosso site. Ao chegar a uma cidade para verificar o email, nossos corações ficavam aquecidos ao encontrar doações de lugares como a Bulgária ou dos Estados Federados da Micronésia.<br />
Tudo começou a fazer mais sentido. Para nós, a verdadeira beleza desta viagem via “força humana” encontra-se em sua lentidão inerente e no mundo íntimo de encontros que se abrem, e não simplesmente em ir o mais rápido possível, fisicamente, de A até B, com uma quantidade X de drama extremo e quantidade Y de recordes mundiais no final. Ela apresenta um universo infinito de histórias para explorar num mundo onde, aparentemente, não há muito para ser descoberto no sentido clássico. Espero que isso nos dê a oportunidade de compartilhar e inspirar algumas pessoas ao longo do caminho.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-3823 aligncenter" title="Expedição Brasil 9000" alt="www.brazil9000.com 1 620x413 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/www.brazil9000.com-1-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><em>Artigo <em>originalmente </em>publicado na revista <span style="color: #008000;"><strong><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/" target="_blank"><span style="color: #008000;"><br />
</span></a></strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-4262" alt="email logo sidetracked 2 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/03/email-logo-sidetracked-2.gif" width="326" height="52" title="125 dias na Amazônia" /></a></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/" target="_blank"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-4261" alt="home 09 crop.143117 2 150x150 125 dias na Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/03/home-09-crop.143117-2-150x150.jpg" width="150" height="150" title="125 dias na Amazônia" /></a></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><i>Por Gareth Jones.</i> <i>Fotos por Aaron Chervenak</i> <i>&amp; Gareth Jones</i></p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido por Matheus Begas</em></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><i> <b>©</b> </i><i>2013 Skeeto Lounge. Todos os Direitos Reservados.</i></p>
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		<title>125 Days in Amazônia</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Mar 2013 18:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>

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		<description><![CDATA[I was asked by a close friend before departure why exactly we were making this journey and the more I thought about a sincere response, the blanker my mind went. Not so good when you are putting your life plus every penny you own behind something.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3294" alt="IMG 6420 nemo Web 820 620x413 125 Days in Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/11/IMG_6420-nemo-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" title="125 Days in Amazônia" /></p>
<p>[Versão em português <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://brazil9000.com/125-dias-na-amazonia/"><span style="color: #008000;">aqui</span></a></em></strong></span>]<br />
I was asked by a close friend before departure why exactly we were making this journey and the more I thought about a sincere response, the blanker my mind went. Not so good when you are putting your life plus every penny you own behind something. We weren’t doing this to raise money for charitable causes and so didn’t want to place this falsely at the top of our agenda. I love Brazil passionately and have done since I first arrived there nearly 10 years ago. But why exactly? People asked, and again… I couldn’t give a deeper explanation. What had driven us to make such a commitment, and what continued to drive us both so strongly through the tired, low and lonely moments? The biggest journey is indeed ‘within’ and it seemed that only with time would we begin to unravel the truth…</p>
<p>READ THE FULL ARTICLE IN THE NEW FREE EDITION OF <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/brazil.php" target="_blank"><span style="color: #008000;">SIDETRACKED MAGAZINE</span></a> </em></strong></span></p>
<p> </p>
<p align="center"><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/" target="_blank"><img alt="email logo sidetracked 2 125 Days in Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/03/email-logo-sidetracked-2.gif" width="326" height="52" title="125 Days in Amazônia" /></a></p>
<p align="center"><a href="http://www.sidetracked.co.uk/edition-09/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-4261" alt="home 09 crop.143117 2 e1363890511329 125 Days in Amazônia" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/03/home-09-crop.143117-2-e1363890511329.jpg" width="300" height="300" title="125 Days in Amazônia" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em style="font-size: 13px; line-height: 19px;"> </em></p>
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		</item>
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		<title>Video Update #3</title>
		<link>http://brazil9000.com/caboclo-kingdom-update-3/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=caboclo-kingdom-update-3</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2013 19:09:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Our journey so far]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Roraima]]></category>

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		<description><![CDATA[After 126 days 2345km (1457miles) we arrived in the Amazonian city of Santarém. Our time amongst the Amazonian people, known as 'caboclos', has been magical. This teaser video gives you a glimpse into life on the river and some of stories we've been gathering.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>***News Update — 11  June 2013: Expedition still on hold whilst fixing up some complicated visa and film production arrangements. As soon as we get all this bureaucracy beaten we’ll be back on the river***</em></p>
<h2>Caboclo Kingdom</h2>
<p><em>*Com legenda em Português*</em></p>
<p>After 126 days and 2345km (1457miles) we arrived in Santarém. Our time amongst the Amazonian people, known as ‘caboclos’, has been magical. This teaser video gives a glimpse into life on the river and some of the stories we’ve been gathering.</p>
<p>A very special thank you to our equipment sponsors and all the kind folks whose donations are helping to keep our voyage across Brazil going.  You can find out how to support the expedition <em><b><a href="http://brazil9000.com/support-us/"><span style="color: #006600;">here</span></a></b><b>.</b></em></p>
<p>You can also check out the recent blog post <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://brazil9000.com/breaking-banzeiro/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Breaking Banzeiro</span></a></em></strong></span>, or previous video updates <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://brazil9000.com/found-in-a-lost-world-update-2/"><span style="color: #008000;">Found in a Lost World </span></a></em></strong></span>and <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://brazil9000.com/leaving-los-angeles/"><span style="color: #008000;">Leaving Los Angeles</span></a></em></strong></span>.</p>
<p>We hope you all enjoy the video and until the next time,<br />
Gareth &amp; Aaron</p>
<p><em>03 Nov 2012 — 28 Jan 2013</em><br />
<em id="__mceDel"><em>Route: Boa Vista to Santarém by canoe, down the Rio Branco, Rio Negro &amp; Rio Amazonas</em><br />
<em>States: Roraima, Amazonas &amp; Pará</em></em></p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4130" alt="MG 9870 Web 820 620x413 Video Update #3" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/03/MG_9870-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Video Update #3" /></p>
<div class='one_half'><p><a href="http://brazil9000.com/caboclo-kingdom-update-3/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></div>
<div class='one_half last_column'><p><a href="http://brazil9000.com/caboclo-kingdom-update-3/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></div><div class='clear_column'></div>
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		<title>Photo of the Week #14</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Feb 2013 15:31:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Photo of the week]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>

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		<description><![CDATA[The Brazil 9000 Expedition - Photo of the Week #14 - Finally reaching the docks in Manaus. It took us 72 days and we had paddled and hiked a total of 1624 kilometers (1009 miles).]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3694" title="Brasil-9000-Aaron-Chervenak-Manaus" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Brasil-9000-Aaron-Chervenak-Manaus-620x413.jpg" alt="Brasil 9000 Aaron Chervenak Manaus 620x413 Photo of the Week #14" width="620" height="413" /></p>
<p><em>30 November 2012 - Finally reaching the docks in Manaus. </em>It took us 72 days and we had paddled and hiked a total of 1624 kilometers (1009 miles).</p>
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		<title>Photo of the Week #13</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2013 14:57:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Photo of the week]]></category>
		<category><![CDATA[Roraima]]></category>

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		<description><![CDATA[The Brazil 9000 Expedition - Photo of the Week #13 - At camp on the Rio Maú.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3289" alt="IMG 6152 Web 820 620x413 Photo of the Week #13" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/11/IMG_6152-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Photo of the Week #13" /></p>
<p><em>23 October, 2012 </em>- Camp on the Rio Maú</p>
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		<title>Breaking Banzeiro</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Feb 2013 00:29:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Our journey so far]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Roraima]]></category>

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		<description><![CDATA[After a good rest in Boa Vista we felt healthy again but we had both grown cagey, boxed up in our air-conditioned hotel room, irritating one another and squabbling over trivial matters. It was time to get back in the canoe and paddle away from the city into the wild realms of Brazil once again.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>[Versão em português <span style="color: #008000;"><strong><em><a href="http://brazil9000.com/o-banzeiro-portugues/"><span style="color: #008000;">aqui</span></a></em></strong></span>]</p>
<h2>Back on the Branco</h2>
<p>I don’t sleep indoors so much these days, but when I do I often have the same dream. I wake up sweating in a black mist of disorientation, sit up and reach out to feel for the walls, probing for some reassurance that it is not real; I am not in the canoe, asleep, floating down river in the jungle night. In a hotel room the bedside minibar works as good as the wall, anything I can clutch at until senses are restored.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3793" title="Brazil-9000-Rio-Branco" alt="Brazil 9000 Rio Branco 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Rio-Branco-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>After a good rest in Boa Vista we felt healthy again but we had both grown cagey, boxed up in our air-conditioned hotel room, irritating one another and squabbling over trivial matters. It was time to get back in the canoe and paddle away from the city into the wild realms of Brazil once again.</p>
<p><span id="more-3735"></span></p>
<p>South of Boa Vista things soon began to feel more Amazonian, the riverside jungle grew denser and louder and a variety of scents blew off the banks; perfumes, menthol, rotten swamp. Pairs of blue and yellow macaws passed above us and the bright pink guará flamengos appeared too. The clouds became white giants with black bellies, hanging heavy on the southern horizon, shooting red and yellow bolts down upon the rainforest with the weather becoming an increasing menace as we left Roraima’s dry season behind travelling on south down the Rio Branco, approaching the rainy season of Amazonas state.</p>
<p>We paddled hypnotically for about 8 hours a day, averaging 50km (30miles), passing the occasional riverside community of stilted shacks or friendly fishing boat but generally alone except for the company of the pink river dolphins who followed us playfully for hours yet somehow always vanishing into the depths the second we stopped to film them. We passed time speculating the science behind this… sensitivities to some frequency emitted by the camera equipment? The change in our paddle rhythm?  Either way they were smart. I said ‘bless you’ to Aaron, mistaking the bashful greeting of a dolphin right beside us for his sneeze.</p>
<p><img title="Brazil-9000-Chervenak-Jones-104" alt="Brazil 9000 Chervenak Jones 104 620x414 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Chervenak-Jones-104-620x414.jpg" width="620" height="414" /></p>
<p>The dolphins escorted us across the equator as we baked under the sun with swarms of biting pium flies devouring any exposed flesh and marking it with a signature blob with a bright red prick in the middle. They were dreadful but we could just about tolerate them as the Rio Branco was treating us kindly and we were making smooth progress, happy and comfortable in our routine and life on the river. As a general rule Aaron and I have come to expect some kind of mini-crisis, difficult decision or possibly dangerous event approximately every 6 hours on the river or in the jungle. But the Rio Branco had been an pleasant exception and left us wondering how long this would last beyond the junction with the Rio Negro.</p>
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<p>(Trouble viewing gallery? Click <span style="color: #008000;"><em><a href="http://skeetolounge.photoshelter.com/gallery/White-River-Black-River/G0000jEvRzwF9Lk8/"><span style="color: #008000;"><strong>here</strong></span></a>)</em></span></p>
<p>We slept on lonely beaches, huge moonscapes of sand that would vanish in the coming months when the river rises. There were always caiman nearby but not yet big enough to put us off sleeping on the beach in our Nemo tents, their red shining eyes were easy to pick out by torch light. At night Orion rose and watched over us as we collected driftwood for our fire, wrote our journals and charged our camera gear off the solar charge we had collected throughout the day. It was always a challenge to keep the filming routine up but Aaron was especially devoted to it and would ignore hunger and fatigue to wonder around camp filming jaguar footprints or some other exotic curiosity.</p>
<p>We had thought hard on how we could improve our camp life on this new phase and hours of brainstorming spawned Bertie and two big plastic tubs. Bertie was our new thermos flask and kept our coffee warm all day long, according to my journal “Bertie has brought a revolution to our day”. I can’t remember exactly why warm coffee was a such big deal in the intense tropical heat but it pleased us more than the cold stuff we were used too. The two plastic tubs meant that we could serve up our food in one go, instead of eating from our small mugs or taking in turns to eat 10 spoonfuls from the pan or ration bag. Dinner time was dog-like as we sat on the ground with our heads in the tubs. We ate plentifully on the Branco and drank more water too, making life much more pleasant although we would let the hydration slip from time to time and end up not knowing left from right with an awful headache.</p>
<p>It was magnificent to think how that little spring of the Rio Maú where we had begun two months ago had brought us here, from that rusty bubbling puddle in the rocks to the great widths of the Rio Branco, a huge tributary small only in comparison to the mighty rivers it would soon join. We had not made much of a mark on our route map of Brazil, but the sense of distance and achievement warmed us both, we had already come a long way and shared so many magical moments.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3823" title="www.brazil9000.com-1" alt="www.brazil9000.com 1 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/www.brazil9000.com-1-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<h2>Banzeiro?</h2>
<p>Aaron’s thumbnails were rotting off with a fungal infection and I’d had a very close run in with a sting ray when wading in the sandy shallows, but all said and done we were in decent shape and reached our half way point in 10 days - a small settlement called Santa Maria de Boiaçu near the junction with the Rio Negro where the pium flies were atrocious. It seemed liked the itch capital of Brazil, men slapped themselves constantly and women all carried tea-towels and whipped themselves and cursed. Everybody scratched away but it was a wonderfully friendly place. I forfeited a night of rest in a bed for a late night caipirinha extravaganza on the deck of a floating wooden shack where my new friends soon forgot about the video camera and I filmed away happily with drinks on the house and everybody asking questions about the ‘disco voador’ (flying saucer) that they had seen the gringos arrive in earlier that afternoon. The forró music played loud, dropping into brief silences between songs when the chirps and croaks of the jungle spilled out into the air.</p>
<p>That night a fisherman warned me of the dangers we would face once on the Rio Negro. He stood under the glow of lamplight in a cloud of frenzied moths and delivered his list, illustrating each threat with dramatic body language and facial expressions that may have been learnt from a personal apprenticeship with Jim Carey:</p>
<p>1) The Analvilhanas archipelago; the river splits into a billion islands and channels, we would get lost (f<em>rantic finger poking the air to represent the islands, rapid karate chopping for channels).</em></p>
<p>2) Jacaré-Açu — Caiman crocodiles <em>(marked a distance of approximately 5 meters from the wall, screwed up face in horror, eyes popping out, throat cutting gesture to signify mortality).</em></p>
<p><em></em> 3) River pirates <em>(wild west gun shooting gesture. Revs an imaginery engine, tucks into kamikaze position to indicate speed of attack).</em></p>
<p><em></em> 4) Something terrible called the ‘banzeiro’ that seemed to be weather related and worse than the other stuff on his list <em>(wave motion doo-wop dance to indicate rough waters. Epic war zone style enactment of electrical storm climaxing with epileptic tremble for the direct lightening strike. Spoke quietly, gravely then nursed his head in hands, long silent pause, shook head then put his hand on my shoulder and asked if we were insane).</em></p>
<p><em></em>Accusations of insanity were nothing new to us by this point and I was more interested in this ‘banzeiro’, a word that I didn’t know. We’d heard it several times already on the way down and river folks kept telling us it would give us major grief. When the wind picks up and suddenly switches the banzeiro will come, they all said… we should get off the river and hide in the jungle and from the worried look on their faces it seemed like the banzeiro might be some type of prehistoric jungle terradactyl, sinister and almighty and hell bent on destroying any floating vessel of a dinky size like ours. We pieced together all the descriptions and decided it related to a violent Amazonian storm front, specifically the waves that would be whipped up by high wind and heavy rain and that it would likely be the end of us if we let it catch us. Hug the river bank closely, stay off the main open channel, watch the weather closely we decided.</p>
<h2>White River Black River</h2>
<p>We had not understood where the Branco got its ‘white’ name until it joined the Rio Negro and saw that its waters were pale in comparison to the metallic blackness. We had a hand sketched map from a riverman in Santa Maria that marked a rough route we should take for the next few days, avoiding the massive main channel and instead weaving between the mainland and a series of long slim islands, the main channel was intimidating and we could barely see the far bank when it opened up. We paddled anxiously, waiting to make our acquaintance with the banzeiro.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3919" title="Gareth-jones-brazil-9000" alt="GOPR2931 1 Web 820 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/GOPR2931-1-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>It soon came just like they said, the usual headwind suddenly picking up violenty and switching to chase us from behind with a black curtain sweeping downriver. We bolted up on to a muddy bank, emptied the canoe and sheltered in a scrubby patch of jungle. It rumbled fiercely over us like a fugitive car wash and immediately the river just a few meters away vanished into the rain, waves crashed on the banks and trees bowed and cracked. Before too long it was gone again. The waves and chop were big enough even on our little side channel. Out on the main branch of the Negro we would have been swamped.</p>
<p>The storms blacked out the afternoons sporadically over the coming days but it all seemed like an introduction to something that could be far worse. We were only on the cusp of the seasonal rains  and both our thoughts turned to our next phase — the 1500km paddle to Belém where the river was far bigger and the banzeiro sure to be far mightier.</p>
<h2>Iodine Rum Cocktails and a Duckling</h2>
<p>From my journal 26th November 2012 (Day 67 of expedition):</p>
<p><em>In hammock, on island with a ‘no entry’ warning sign from the Waimiri-Atroari indians. The sign is weird. Only man-made thing in remote jungle. We’re relaxed but exhausted and open a bottle of cachaça rum and make a passion fruit caipirinha with some powdered fruit drink, sugar and iodine treated river water. Listen to Muddy Waters on iPhone and jungle chirping weaves its way into the song… Could the indians bust us here?</em></p>
<p>Historically persecuted, the Waimiri-Atroari have a reputation for boldly defending their homeland and had clashed with governent troops in recent years due to a road being built through their territory. I’d heard stories of confrontations, bows and arrows versus modern military and the Waimiri-Atroari targeting the digger and truck headlights, in order to blind the giant monsters. A passing boat engine had us suddenly freaking out and kicking the fire out but we were well hidden in the thick vegetation. We had not wanted to trespass but an approaching storm had narrowed our options.</p>
<p><img title="_MG_9832-web820" alt="MG 9832 web820 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/MG_9832-web820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>More from my journal that night:</p>
<p>W<em>e’re on a small channel between islands. </em><em>A nice steep bank separates us from the muddy jacaré infested beach. View of moonlit river bend, Earlier in fading light I looked out at the busy dusk activity of dolphins, birds, bats and probably a few caimans too. Thought it was beautiful — the jungle and smokey light. But really must be absolute carnage out there — the food chain working through the ranks at full speed. And in the middle of it all I saw a little duckling floating through this warzone feeding frenzy. Was this vulnerable creature us in our canoe? Not so far. We’re doing fine.</em></p>
<p><img class="aligncenter" title="Rio-Negro-Anavilhanas-Brasil-9000" alt="Rio Negro Anavilhanas Brasil 9000 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Rio-Negro-Anavilhanas-Brasil-9000-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p> </p>
<h2>The Analvilhanas Archipelago</h2>
<p>The Negro crumbled into a maze of channels but we were able to set a good course on our Magellan GPS unit and weave on through the Analvilhanas archipelago national park. Threat number one on the fisherman’s list could be scratched off.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-3922" title="Image: Google Earth" alt="Analvilhanas51 620x476 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Analvilhanas51-620x476.jpg" width="620" height="476" /></p>
<p>Our camping strategy, however, was immediately reevaluated after a near collision with a giant jacaré-açu caiman, feared by Amazonians and from its snout to its eyes measuring the size of my torso. With a terrific thrash its tail cracked down on the water and it went under. That day we would see several more and we were actually both left quite shaken and vunerable, one of these tail slaps and our canoe would be a goner and we would be left floating in the company of beasts.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Chervenak-Jones-Ally-canoe-1" alt="Chervenak Jones Ally canoe 1 620x399 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Chervenak-Jones-Ally-canoe-1-620x399.jpg" width="620" height="399" /></p>
<p>From now on we would clamber up into the higher jungle banks and rig our Hennessy hammocks. The beaches were now a no-go. The only outstanding item on the fisherman’s list was now river pirates.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Brazil-9000-Chervenak-Jones-125" alt="Brazil 9000 Chervenak Jones 125 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Chervenak-Jones-125-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p> </p>
<h2>A Flamboyant Encounter, on the Rocks</h2>
<p>The city slowly reached into our world, signalling its nearing presence; litter, plastic bottles, floating bits of styrofoam, nets and rags dangling from the low water jungle and sneaking out from the distant haze was a skyline. Manaus and its new bridge stretched across the vast Rio Negro, around the next bend we’d need to cross a 15km (6 miles) open bay to get there, which meant a big risk with an afternoon storm due that would tremble our little canoe and pitch us into the dark waters should we get caught out in it. We’d have to move fast and we stopped at a rocky outcrop to take get some quick footage and organize the boat before the final  push.</p>
<p>As I rushed my way through my share of biscuits and Aaron set the tripod up, the sound of an engine came speeding across the river towards us. Things upriver had been peaceful and we feared the wrath of urban crime and squinting out towards the approaching boat I remember the fisherman’s prophecies and wondered what a river pirate would look like and thought — were we about to get rumbled?! It came at speed towards us, but looked like just one man. The motor cut and the slim wooden boat coasted in. The man wore a vest and bermudas and in the boat was the typical mess of fishing nets, beer cans, empty fuel containers and a styrofoam cool box. Aaron was on top of the rocks and I was on the communications frontline, hoping that if we were not about to get robbed I’d be able to get our visitor on his way as soon as possible so we could get on with things. He had the face of an Indian and all signs said nothing out of the ordinary so far.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Brazil-9000-Manaus" alt="Brazil 9000 Manaus 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Brazil-9000-Manaus-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>And then he waved; a two handed wave with with two equally excited and floppy wrists. A gay Indian. A sure sign we were out of the wilderness and within the reaches of metropolitan Brazil. The mischievous campness at first had been hidden behind a baseball cap smeared with engine oil and macho engine revving. But it quickly became clear our friend was flamboyantly infatuated with our foreignness and full of questions.</p>
<p>Yes, I explained, we were on a journey downriver and filming as we went along. Yes, ok, I said. I guess you could call us filmmakers…</p>
<p>“Aaaiiiiii! Que lindo! Tipo holliiiwuudddiii!”</p>
<p>Hollywood?! Well, not quite. “Mais ou menos” I replied.</p>
<p>I tried to calm him down a little but it went on like that for a while and I dodged his seductive winks by keeping my eyes on the sky, worried about a weather change whilst Aaron waited on the rock ready to get the shot of the canoe. It felt mean to shut down the conversation on such an enthusiastic and friendly soul but we needed to make tracks. He lived a little way up river in an indigenous community, a gorgeous place he would very much love us to visit and spend the night. I had visions. A night of karaoke and Lady Gaga with an ancient indigenous twist, powered by a diesel generator and local caixiri homebrew. A real cultural collision that I imagined could have been a good segment to film, but we did really have to leave. He shrugged off his disappointment, rolled his eyes and pouted. Then yanked his his engine to life and sped off soon becoming the silhouette of your regular Amazonian fisherman.</p>
<h2>Manaus</h2>
<p>Two hours later we were  beached on a sand bank slap bang in the middle of the bay. Think of an ocean, as it resembles that more than any river. We argued, punted and splashed our way towards the skyline. Rain clouds teased us and lightening was cast down on the city but narrowly passing over away from us. Finally we arrived at the Ponta Negra dock. Low budget forró songs played at a nauseating volume. On the muddy bank surrounded by river craft and stilted shanties was Cínthia, Aaron’s girlfriend.</p>
<p>Ahead was a break we’d both very much need; from the river and each other before tackling the estimated 1500km (600 miles) down the main body of the amazon to Belem. The river, the rain and the winds were already big enough but now set to explode in proportion. The banzeiro would be hot on our tails.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Story by Gareth Jones. Photos by Aaron Chervenak &amp; Gareth Jones, unless otherwise indicated)</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>( <strong>©</strong> 2012 Skeeto Lounge. All rights reserved)</em></p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3750" title="Aaron-Chervanak-Brasil-9000-Manaus" alt="Aaron Chervanak Brasil 9000 Manaus 620x413 Breaking Banzeiro" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Aaron-Chervanak-Brasil-9000-Manaus-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p><strong><em>The paddle from Boa Vista to Manaus:</em></strong></p>
<p><em>Date: 13 Nov — 01 Dec 2012<em></em></em></p>
<p><em>Route: Boa Vista to Manaus — By canoe down the Rio Branco &amp; Rio Negro.<em></em></em></p>
<p><em><em><em>State: Roraima &amp; Amazonas</em></em><em></em></em></p>
<p><em>Distance covered: 851km (529miles)</em></p>
<p><em>Total expedition distance covered: 1624km (1009 miles), 72 Days</em></p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>Entrevista: Revista Go Outside</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Feb 2013 11:58:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Press]]></category>

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		<description><![CDATA[Um inglês e um norte-americano decidem desbravar 9 mil quilômetros de norte a sul do Brasil a pé, a remo e de bike, em uma expedição de 18 meses pelas regiões mais isoladas do país]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em><br />
Por Bruno Lazaretti — revista <strong><span style="color: #008000;"><a href="http://gooutside.uol.com.br/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Go Outside</span></a></span></strong>, Decembro 2012</em></p>
<h2><a href="http://gooutside.uol.com.br/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-4039 alignleft" alt="revistago91 capa Entrevista: Revista Go Outside" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/02/revistago91-capa.jpg" width="150" height="179" title="Entrevista: Revista Go Outside" /></a></h2>
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<h2>Transbrasil</h2>
<p><strong><em>Um inglês e um norte-americano decidem desbravar 9 mil quilômetros de norte a sul do Brasil a pé, a remo e de bike, em uma expedição de 18 meses pelas regiões mais isoladas do país</em></strong></p>
<p>“Não aguento mais”, desabafou o índio Fidel, da tribo patamona. O londrino Gareth Jones e o californiano Aaron Chervenak, ambos de 31 anos e companheiros de uma ambiciosa expedição em terras brasileiras, cruzaram olhares, sem esconder certo desespero. Estavam apenas no terceiro dia de um trajeto de pouco mais de uma semana até o ponto mais ao norte do Brasil, o Monte Caburaí, na fronteira entre Roraima e a Guiana. Os dois gringos atravessaram o árido lavrado de Roraima guiados por Fidel, mas foi no começo da selva que a saudade da mandioca, ou apenas o bom senso, bateu no índio e ele anunciou sua retirada. A dupla de amigos murchou. “Tentei convencê-lo com mais dinheiro, mas nossas técnicas de persuasão capitalista não surtiram efeito”, conta Gareth. No dia seguinte, o guia pegou o caminho de volta para casa, e os dois companheiros seguiram viagem, resignados. Sua jornada de 9 mil quilômetros pelo país ainda nem tinha se iniciado e já dava sinais claros das dificuldades que teria pela frente…</p>
<p><span id="more-4029"></span></p>
<p>Gareth e Aaron tiveram a ideia de sua expedição, batizada de Brazil 9000, em 2010, depois de descobrirem uma canoa portátil que os permitiria cruzar o território nacional de seu ponto mais setentrional (98 quilômetros mais ao norte que o deságue do rio Oiapoque) até o arroio Chuí usando apenas força humana. O trajeto de oito dias até o Monte Caburaí era só o prólogo — e um índio desistindo era certamente um mau sinal. Talvez a aventura acabasse antes de começar. Talvez eles morressem de cobra ou tiro. Talvez os índios macuxis, da reserva Raposa Serra do Sol, os abatessem a flechas quando a dupla pedisse para cruzar suas terras.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3544" alt="Brazil9000 JonesChervenak3 620x413 Entrevista: Revista Go Outside" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/02/Brazil9000-JonesChervenak3-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Entrevista: Revista Go Outside" /></p>
<p>Mas eles sobreviveram. Cinco dias depois, estavam no meio do morro Caburaí em busca do marco BG-11A, misterioso monumento que uma expedição militar cravou no ponto mais ao norte do Brasil em 1998. Foi quando eles descobriram que não só os mapas eram inúteis nessa região, mas que as marcações grosseiras do GPS não estavam ajudando. Após subirem o rio Maú até sua foz, respiraram fundo, voltaram-se ao Sul e iniciaram a marcha até Boa Vista — agora, sim, poderiam começar a subtrair quilômetros dos 9 mil até o Chuí.</p>
<p>Os dois viviam no Rio de Janeiro quando decidiram explorar a Amazônia pela primeira vez, em 2010. Depois de conhecerem os macetes da selva em uma viagem pelo Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, entre o Amapá e o Pará, compraram a canoa portátil e prepararam-se durante dois anos para a empreitada, na qual poderiam usar apenas as pernas e os braços, remando, caminhando e pedalando.</p>
<p><em>Conversamos com os dois durante a pausa deles em Boa Vista. Enquanto você lê esta entrevista, Gareth e Aaron devem estar no meio do mato em algum ponto remoto do país. Para acompanhar seus passos, visite o site brazil9000.com.</em></p>
<p>GO OUTSIDE: <em>Como vai a viagem? Quanto vocês percorreram até agora?</em></p>
<p>GARETH JONES: Acabamos de terminar a primeira parte da expedição, do monte Caburaí, na fronteira com a Guiana, até Boa Vista. Levamos 37 dias e percorremos 754 quilômetros até agora.</p>
<p><em>A viagem toda deve durar quanto tempo?</em></p>
<p>AARON CHERVENAK: Estimamos 18 meses, se fizermos uma média diária de 17 quilômetros. Não temos pressa e queremos documentar o Brasil durante a travessia.</p>
<p><em>Quais equipamentos são mais essenciais para uma aventura desse porte?</em></p>
<p>G: Para viagens pelos trópicos, é preciso tratar bem a água. Por isso, um filtro ou uma reserva de cloro é mais que necessário. E talco! É ele que deixa nossos pés decentes e os impede de apodrecerem e caírem.</p>
<p><em>Vocês usam algum tipo de proteção contra bichos?</em></p>
<p>A: Minha filosofia é cobrir todas as áreas expostas do corpo. É desconfortável, mas mordidas de mosquito são um problema porque podem infeccionar. É tão bom se coçar! Uso luvas, lenço, meias, chapéu. E me convenço de que o suor excessivo refresca. Contra cobras, eu estava usando um tecido tipo cordura nas canelas, até que um índio me viu e riu da minha cara, falando que isso não me protegeria nem de uma capivara.</p>
<p><em>Vocês já tiveram um encontro traumático com um peixe candiru [conhecido por entrar no canal da urina]?</em></p>
<p>G: Não, mas alguns pescadores nos avisaram. Nunca mais vamos fazer xixi fora da canoa!</p>
<p><em>Como vocês se conheceram?</em></p>
<p>G: Na Universidade de Manchester, no Reino Unido, em 2003. Aaron tinha vindo da Califórnia visitar uns amigos em comum. Ele pediu para ficar alguns dias e acabou passando dez meses acampado debaixo de uns armários sob a escada do meu apê. A gente morava em cima de uns vendedores de kebab, e a caverninha do Aaron sempre exalava aromas exóticos de gordura. Foi assim que começou nossa amizade.</p>
<p><em>O quão bem vocês se conhecem?</em></p>
<p>G: Muito bem, como irmãos. Isso é maravilhoso e difícil. Ainda estamos aprendendo como não irritar um ao outro, em especial nos dias em que estamos exaustos, famintos e sedentos. Não conhecemos ninguém (nem casais!) que têm de passar por esse nível de intimidade. Nós cagamos um do lado do outro no mato, comemos do mesmo prato. Partilhamos os pontos mais altos e baixos de nossas vidas.</p>
<p>A: Faço minhas as palavras dele. Nós somos como o pior tipo de casal: brigas, compromisso e nada de sexo! Mas também temos momentos fantásticos que nos lembram a razão de estarmos juntos no meio de uma aventura. Uau, olha só, até parecemos um casal falando assim!</p>
<p><em>O que faz vocês funcionarem como equipe? Quem é responsável pelo quê?</em></p>
<p>G: Primeiro de tudo, adoramos a selva e amamos o estilo de vida que escolhemos. E cada um de nós tem habilidades específicas. Montar o acampamento agora é rápido. Paramos em uma clareira ou margem de rio por volta das 16 horas, e o Aaron já começa a tratar a água para a noite, anota as informações do GPS e carrega nossos equipamentos eletrônicos no carregador solar. Eu junto lenha, faço fogo e cozinh o jantar e o café da manhã dos próximos dias. Quando sobra força, atualizamos nossos blogs antes de desmaiarmos nas redes às 20 horas.</p>
<p>A: O Gareth é um potro de corrida e curte meter a mão na massa logo cedo. Meu forte é andar longas distâncias, então ajudo o Gareth naqueles bloqueios físicos e mentais que aparecem em trechos complicados. Por outro lado, o Gareth rema melhor e é mais consistente. Ele me motiva durante os estreitos mentais que pintam depois de oito horas na canoa.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3295" alt="IMG 7622 Web 820 620x413 Entrevista: Revista Go Outside" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/11/IMG_7622-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Entrevista: Revista Go Outside" /></p>
<p><em>Vocês têm papos profundos na mata?</em></p>
<p>G: Quando andamos na selva sozinhos, ficamos meio longe um do outro para minimizar o risco de picadas de cobra. Então não nos falamos muito, entramos meio que em um transe, dando um passo por vez em nossos mundinhos. Já me flagrei falando sozinho. Remando é outra história: a conversa vai mais longe que o papo de boteco porque a natureza imensa ao nosso redor coloca tudo em perspectiva. Falamos do nosso tempo curto neste planeta. Também dividimos fantasias sobre comida — uma pergunta comum é o que a gente comeria se estivéssemos em casa. Sonhamos com milk-shakes, comida de mãe e pratos tailandeses.</p>
<p><em>Vocês engoliram essa de que o Christopher McCandless (o protagonista de na natureza selvagem) era esquizofrênico?</em></p>
<p>A: Acho que McCandless era um jovem sábio que acreditava que a vida era mais do que essa esteira confortável que o mundo estende para a classe média alta. Pelo que li sobre ele, acho que acreditava que, mesmo jovem e privilegiado, tinha que buscar um caminho alternativo, sair da bolha e procurar a compaixão de estranhos, a beleza na natureza. A única desgraça foi que ele morreu tentando, então virou combustível para o argumento de que sair demais “da caixa” é irresponsável, egoísta e perigoso.</p>
<p><em>Como foi o primeiro contato de vocês com a selva brasileira?</em></p>
<p>G: A primeira coisa que me impressionou foi perceber como é barulhento aqui. Insetos, pássaros. É tão ruidoso quanto o centro de uma cidade.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-3065" alt="Caburai expedition roraima brazil 620x413 Entrevista: Revista Go Outside" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Caburai-expedition-roraima-brazil-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Entrevista: Revista Go Outside" /></p>
<p>A: É chocante presenciar a conexão entre flora e fauna. Troncos mortos no meio da água viram casa para morcegos. Árvores caídas dão vida nova à floresta porque deixam a luz entrar.</p>
<p><em>Vocês têm uma relação especial com o Brasil ou é só uma fase? Por exemplo, no ano que vem, vão explorar, sei lá, a tundra siberiana?</em></p>
<p>A: Este momento da minha vida é o Brasil. Namoro uma brasileira, então tenho contato emocional direto com o país. É uma nação que cresce o tempo todo, e é muito louco estar em um lugar que muda a cada minuto. O Brasil terá grandes momentos ainda, e fico contente de estar aqui. Mas quem sabe a tundra siberiana esteja no meu futuro…</p>
<p>G: É uma relação de vida, um laço que nunca se rompeu desde que um amigo me deu uma fita cassete com músicas do Vinicius, Gil e Jorge Ben. Eu precisava entender do que falavam essas canções, então fui para o Rio depois da universidade. Fiquei dois anos lá, minha família achou que nunca mais voltaria. Quando retornei, juntei grana, pedi demissão do trabalho e parti de novo para o Brasil. Viciei.</p>
<p><em>Vocês falam Português? Quais expressões são mais úteis na expedição?</em></p>
<p>G: Tem muito bandido/onça/sucuri/jacaré por aqui?</p>
<p>A: Tem comida aqui?</p>
<p><a href="http://gooutside.uol.com.br/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-4036" alt="logo gooutside branco Entrevista: Revista Go Outside" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/02/logo-gooutside-branco.jpg" width="250" height="91" title="Entrevista: Revista Go Outside" /></a></p>
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		<title>Photo of the Week #12</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2013 14:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Photo of the week]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>

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		<description><![CDATA[The Brazil 9000 Expedition - Photo of the Week #12: Busted on the Amazon
After turning our canoe inside out, we managed to convince the special agents and troops from the Força Nacional that we weren't running dope down from Colombia. The encounter begun with shouting and guns pointed at our heads but ended with a photo shoot and handshakes.  
25 January 2013 - Óbidos, Rio Amazonas.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4010" alt="Brazil 9000 Busted 620x413 Photo of the Week #12" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Busted-620x413.jpg" width="620" height="413" title="Photo of the Week #12" /></p>
<p style="text-align: left;">After turning our canoe inside out, we managed to convince the special agents and troops from the Força Nacional that we weren’t running dope down from Colombia. The encounter begun with shouting and guns pointed at our heads but ended with a photo shoot and handshakes.</p>
<p style="text-align: left;"><em>25 January 2013 - Óbidos, Rio Amazonas.</em></p>
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		<title>O Banzeiro (Português)</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2013 19:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth</dc:creator>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Portugues]]></category>
		<category><![CDATA[Roraima]]></category>

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		<description><![CDATA[Naquela noite, um pescador me alertou dos perigos que iríamos enfrentar no Rio Negro. Ele ficou sob o brilho da lâmpada, em uma nuvem de mariposas frenéticas, e entregou sua lista, ilustrando cada ameaça com uma dramática linguagem corporal e expressões faciais que poderiam ter sido ensinadas pelo ator Jim Carey...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><img style="font-size: 1.5em; line-height: 19px;" title="Aaron-Chervank-Gareth-Jones-Brazil-9000" alt="Aaron Chervank Gareth Jones Brazil 9000 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Aaron-Chervank-Gareth-Jones-Brazil-9000-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<h2>De volta ao Rio Branco</h2>
<p>Eu não tenho dormido dentro de lugares fechados nos últimos dias, mas quando eu durmo, sempre tenho o mesmo sonho. Acordei suando numa névoa negra de desorientação. Sentei e me estiquei para sentir as paredes, buscando alguma garantia de que ela não fosse real. Não estou na canoa, dormindo, descendo rio abaixo, na selva. Em um quarto de hotel, a cabeceira da cama funciona como uma parede,  algo que eu possa agarrar até os sentidos serem restaurados…</p>
<p><span id="more-4068"></span></p>
<p><img title="Brazil-9000-Rio-Branco" alt="Brazil 9000 Rio Branco 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Rio-Branco-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>Depois de um bom descanso em Boa Vista, nos sentimos saudáveis ​​novamente. Porém, ficamos cautelosos, encaixotados em nosso quarto de hotel, com ar condicionado, irritando um ao outro e discutindo sobre assuntos triviais. Estava na hora de voltar para a canoa e remar para longe da cidade e ir para os reinos selvagens do Brasil, mais uma vez.</p>
<p>No sul de Boa Vista as coisas logo começaram a parecer mais como a Amazônia. A floresta ribeirinha ficava mais densa, mais alta, e uma variedade de aromas explodia das margens: perfumes, mentol, pântano apodrecido. Casais de araras-azuis e amarelas passaram sobre nós e os brilhantes  guarás também apareceram. As nuvens se tornaram brancas e gigantes, com barrigas negras, penduradas no horizonte sul, atirando raios vermelhos e amarelos sobre a floresta. O tempo estava se tornando uma ameaça cada vez maior enquanto deixávamos para trás a estação seca de Roraima e íamos para o sul do Rio Branco, nos aproximando das temporadas de chuva do Amazonas.</p>
<p>Remamos hipnoticamente por cerca de oito horas por dia, com média de 50 quilômetros, passando por comunidades ribeirinhas e barcos de pesca. Porém, geralmente, estávamos sozinhos, exceto pela companhia de botos-cor-de-rosa que nos seguiam alegremente durante horas, mas, desaparecendo nas profundezas do rio no segundo em que parávamos para filmá-los. Passamos tempo especulando a ciência por trás disso… Sensibilidade a alguma frequência emitida pela câmera? Uma mudança no nosso ritmo da remada?  De qualquer forma, eles eram inteligentes. Eu disse “saúde” para o Aaron, confundindo a saudação tímida de um golfinho, bem ao nosso lado, com o seu espirro.</p>
<p><img title="Brazil-9000-Chervenak-Jones-104" alt="Brazil 9000 Chervenak Jones 104 620x414 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Chervenak-Jones-104-620x414.jpg" width="620" height="414" /></p>
<p>Os botos nos acompanharam por todo o equador enquanto ficávamos cozidos sob o sol, com enxames de moscas conhecidas como piúm nos mordendo e devorando qualquer carne exposta, picando com uma assinatura vermelha e brilhante. Elas eram terríveis, mas nós poderíamos tolerá-las, pois o Rio Branco estava sendo gentil e estávamos fazendo um bom progresso, felizes e confortáveis em nossa rotina e vida no rio. Como regra geral, Aaron e eu íamos esperar algum tipo de crise, alguma decisão difícil ou um evento perigoso a cada seis horas no rio ou na selva. Mas o Rio Branco tinha sido uma agradável exceção e nos deixou pensando quanto tempo aquilo iria durar até o encontro com o Rio Negro.</p>
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<p>Dormimos em margens desertas do rio — enormes paisagens lunares de areia que desapareceriam nos próximos meses quando o rio tivesse cheio. Havia sempre jacarés nas proximidades, mas não grandes o suficiente para não nos deixar dormir nas margens, em nossas barracas. Os olhos vermelhos e brilhantes eram fáceis de identificar pela lanterna.  À noite, a constelação de Orion subiu e nos observou enquanto coletávamos troncos para uma fogueira. Escrevi no meu diário, carreguei nossa câmera com energia solar abastecida ao longo do dia. Era sempre um desafio manter a rotina das filmagens, mas Aaron estava especialmente dedicado a ela e ignorava a fome e o cansaço, e andava pelo acampamento filmando pegadas de onça ou alguma outra coisa exótica.</p>
<p>Pensamos como poderíamos melhorar nossa vida no acampamento nessa nova fase e, depois de horas quebrando a cabeça, criamos a “Bertie” e duas grandes vasilhas de plástico. Bertie era nossa nova garrafa térmica e mantinha nosso café quente durante todo o dia. De acordo com o meu diário, “Bertie trouxe uma revolução para os nossos dias”. Eu não me lembro exatamente por que o café quente era um negócio tão bom no intenso calor tropical, ele nos agradava mais do que uma bebida gelada. As duas vasilhas de plástico serviam nosso alimento de uma só vez, em vez de comer em nossas pequenas canecas, levando turnos para comer 10 colheres da panela ou do saco de comida. Na hora do jantar, era como se dois cães estivessem sentados no chão com as cabeças nas vasilhas. Comemos muito no Rio Branco e bebemos muita água também. A vida ficou muito mais agradável, mesmo deixando a hidratação ir embora ao longo do tempo e tendo acabado com uma dor de cabeça terrível.</p>
<p>Foi maravilhoso pensar como aquela pequena fonte do Rio Maú (onde tínhamos começado há dois meses) nos trouxe até aqui, desde aquela poça enferrujada nas rochas para as grandes larguras do Rio Branco, um enorme afluente, pequeno somente em comparação com os rios caudalosos que, em breve, ele iria se juntar. Nós não fizemos mais do que uma marca em nosso mapa de rota do Brasil, mas a sensação de distância e realização nos aquecia. Já havíamos percorrido um longo caminho e compartilhado muitos momentos mágicos.</p>
<p><img title="www.brazil9000.com-1" alt="www.brazil9000.com 1 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/www.brazil9000.com-1-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<h2>Banzeiro?</h2>
<p>As unhas do polegar de Aaron estavam apodrecendo devido a uma infecção por fungos e eu havia quase pisado em cima  de uma arraia ao andar na águas rasas. Porém, estávamos bem e atingimos metade do caminho em 10 dias — um pequeno assentamento chamado Santa Maria de Boiaçu, perto do encontro com o Rio Negro, onde as moscas eram cruéis. Parecia a capital da coceira no Brasil — os homens se batiam constantemente e as mulheres carregavam toalhas como chicotes e batiam em si mesmas, xingando. Todo mundo estava cheio de arranhões. Mas era um lugar maravilhoso e amigável. Eu perdi uma noite de descanso em uma cama para uma noite de cachaça  no deck de  uma casa flutuante onde meus novos amigos logo se esqueceriam da câmera de vídeo. Filmei alegremente e todo mundo fazia perguntas sobre o “disco voador” que eles tinham visto:  os “gringos” que chegaram naquela tarde. O forró estava alto, e nas breves pausas entre as músicas ouviam-se os gorjeares e coaxares da selva que eram jorrados para o ar.</p>
<p>Naquela noite, um pescador me alertou dos perigos que iríamos enfrentar no Rio Negro. Ele ficou sob o brilho da lâmpada, em uma nuvem de mariposas frenéticas, e entregou sua lista, ilustrando cada ameaça com uma dramática linguagem corporal e expressões faciais que poderiam ter sido ensinadas  pelo ator Jim Carey:</p>
<p>1) O arquipélago de Analvilhanas: o rio se divide em um bilhão de ilhas e canais. Iríamos nos perder. (<i>Dedo agitado, cutucando o ar para representar as ilhas e golpes rápidos de karatê cortando os canais).</i></p>
<p>2) Jacaré-açu. <i>(Marcava uma distância de cerca de 5 metros da parede, com cara de horror, olhos saltando para fora, e gesto de corte na garganta para significar que era mortal).</i></p>
<p>3) Piratas do rio. <i>(Gesto com pistola atirando, estilo faroeste. Rotações de motor</i> <i>imaginário, e posição de kamikaze para indicar a velocidade do ataque).</i></p>
<p>4) Algo terrível chamado banzeiro, que parecia estar relacionado com o clima e era pior do que as outras coisas da lista. <i>(Dança com movimento de onda para indicar águas turbulentas. Estilo épico de uma zona de guerra, de tempestade elétrica culminando com um tremer epiléptico e um relâmpago.</i> <i>Falou baixinho e, então, protegeu a cabeça com as mãos. Pausa. Um longo silêncio. Balançou a cabeça e colocou a mão em meu ombro. Perguntou se éramos loucos).</i></p>
<p>Acusações de insanidade não eram novas. Eu estava mais interessado nesse banzeiro, uma palavra que eu não conhecia. Durante o caminho, tínhamos ouvido várias vezes as pessoas dizendo que aquilo seria um sofrimento. Quando o vento chegar e, de repente, mudar, o banzeiro virá — todos diziam… Devíamos sair do rio e nos esconder na selva. Dos olhares preocupados em seus rostos, parecia que o banzeiro seria algum tipo de pterodáctilo da selva pré-histórica, sinistro e todo poderoso, e que teimava em destruir qualquer barco do tamanho do nosso. Reunimos todas as descrições e decidimos que aquilo estava relacionado a uma violenta tempestade amazônica. As ondas seriam agitadas pelo forte vento e pela tempestade e, provavelmente, seria o nosso fim se deixássemos elas nos pegar. Ficar bem pŕoximo da margem do rio, fora do canal aberto e observar o tempo. Decidimos.</p>
<h2>Rio Branco, Rio Negro</h2>
<p>Não havíamos entendido o porquê do “branco” no nome do rio até que ele se encontrou com o Rio Negro e vimos que suas águas eram claras em comparação com a escuridão metálica. Tínhamos um mapa com um esboço feito por um homem em Santa Maria, que traçou uma rota que deveríamos seguir nos próximos dias, evitando o enorme canal principal e navegando pelo continente e uma série de longas ilhas estreitas. O principal canal parecia ameaçador e mal conseguiríamos ver a margem oposta quando ele fosse aberto. Remamos ansiosamente, esperando para conhecer o banzeiro.</p>
<p><img title="Gareth-jones-brazil-9000" alt="GOPR2931 1 Web 820 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/GOPR2931-1-Web-820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>E ele veio logo, exatamente como haviam dito. O vento contrário, como de costume. De repente, ele fica violento e muda para nos perseguir por trás com uma cortina negra arrebatadora rio abaixo. Fugimos para cima de um banco de lama, esvaziamos a canoa e ficamos abrigados em um trecho de pouca mata. Ele rugiu ferozmente sobre nós, como um fugitivo de carro, e o rio, a apenas alguns metros de distância, desapareceu na chuva, enquanto ondas se chocavam nas margens e árvores se inclinavam e rachavam. Pouco tempo depois ele ia embora. As ondas eram grandes até para o nosso canal. Se estivéssemos no curso principal do Rio Negro teríamos sido inundados.</p>
<p>As tempestades deixavam as tardes escuras ao longo dos próximos dias, porém, tudo parecia uma introdução para algo que poderia ser muito pior. Nós estávamos somente nas chuvas sazonais e nossos pensamentos se voltaram para a próxima fase: os 1.500 quilômetros de remo para Belém, onde o rio era muito maior e o banzeiro, com certeza, deveria ser muito mais poderoso.</p>
<h2>Coquetéis de Cachaça com Iodo… e um Patinho</h2>
<p>Do diário, 26 de Janeiro de 2012 (Dia 67 da expedição):</p>
<p><i>Na rede, na ilha, com uma placa de alerta ” não entre” dos índios Waimiri-Atroari. A placa é estranha.  Apenas um homem na selva remota.</i> <i>Estamos relaxados, porém, exaustos. Abrimos uma garrafa de</i> <i>cachaça e fizemos uma caipirinha</i> <i>de maracujá com algum suco de frutas em pó, açúcar e água do rio tratada com iodo. . Ouvindo Muddy Waters no iPhone e a selva, cantando, tece seu caminho na música… Os índios</i> <i>poderiam nos achar aqui?</i></p>
<p>Historicamente perseguidos, os Waimiri-atroari tinham uma reputação de ousadia em defender suas terras e lutaram contra tropas do governo nos últimos anos devido a uma estrada que está sendo construída em seu território. Eu tinha ouvido histórias de confrontos, arcos e flechas contra aparato militar moderno, e os Waimiri-atroari visando os faróis de escavadeiras e caminhões a fim de cegar os monstros gigantes. De repente, um motor de barco surgiu e ficamos bem escondidos na vegetação densa. Nós não queríamos invadir a terra deles, mas uma tempestade que estava se aproximando tinha reduzido nossas opções.</p>
<p><img title="_MG_9832-web820" alt="MG 9832 web820 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/MG_9832-web820-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>Mais do meu diário naquela noite:</p>
<p><i>Estamos em um pequeno canal entre as ilhas. Um barranco bem íngreme nos separa da</i> <i>praia barrenta infestada de</i> <i>jacarés. Vista da curva do rio ao luar. Na luz que estava se apagando, olhei para a movimentação agitada dos botos, pássaros, morcegos e, provavelmente, alguns jacarés também. Era bonito — a selva e</i> <i>a </i><i>luz esfumaçada. Mas, realmente, deveria ser uma carnificina absoluta lá fora: a cadeia alimentar trabalhando nas classificações em plena velocidade. E no meio daquilo tudo eu vi um patinho flutuando por aquela zona de guerra</i><i>. Estaria aquela criatura vulnerável nos representando em nossa canoa? Não… Nós estamos indo</i> <i>bem.</i></p>
<p><img title="Rio-Negro-Anavilhanas-Brasil-9000" alt="Rio Negro Anavilhanas Brasil 9000 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Rio-Negro-Anavilhanas-Brasil-9000-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<h2> O Arquipélago Analvilhanas</h2>
<p>O Rio Negro se desfez em um labirinto de canais, mas fomos capazes de definir um bom curso em nosso GPS e navegar no Parque Nacional do Arquipélago de Analvilhanas. A ameaça número um da lista do pescador poderia ser riscada.</p>
<p><img title="Image: Google Earth" alt="Analvilhanas51 620x476 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Analvilhanas51-620x476.jpg" width="620" height="476" /></p>
<p>Nossa estratégia de acampamento, no entanto, foi imediatamente reavaliada após uma quase colisão com um jacaré-açu gigante, temido pelos amazonenses, que tinha do nariz até os olhos, o tamanho do meu tronco. Sua cauda reprimiu a água e afundou. Naquele dia, iríamos ver mais deles. Saímos muito abalados e vulneráveis, na verdade. Um desses tapas com a cauda e a nossa canoa seria um caso perdido, e ficaríamos boiando na companhia de animais.</p>
<p><img title="Chervenak-Jones-Ally-canoe-1" alt="Chervenak Jones Ally canoe 1 620x399 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Chervenak-Jones-Ally-canoe-1-620x399.jpg" width="620" height="399" /></p>
<p>A partir de agora, iríamos escalar os barrancos mais altos da selva e armar nossas redes. As praias agora seriam impossíveis. O único item pendente da lista do pescador era os piratas do rio.</p>
<p><img title="Brazil-9000-Chervenak-Jones-125" alt="Brazil 9000 Chervenak Jones 125 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2013/01/Brazil-9000-Chervenak-Jones-125-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<h2>Um Encontro nas rochas</h2>
<p>A cidade chegou lentamente ao nosso mundo, sinalizando a aproximação de sua presença: lixo, garrafas de plástico, pedaços de isopor, redes e panos na água rasa. Depois da névoa distante estava a linha do horizonte. Manaus e sua nova ponte se esticavam pelo grande Rio Negro. Precisaríamos atravessar 15 quilômetros na baía aberta para chegar, o que significaria um grande risco devido à tempestade que sacudiria nossa pequena canoa  e nos lançaria para as águas escuras. Teríamos que ser rápidos. Paramos em um afloramento rochoso para fazer algumas imagens rápidas e organizar o barco antes do impulso final.</p>
<p>Enquanto eu me apressava comendo meus biscoitos e Aaron arrumava o tripé para cima, um som de motor acelerando veio através do rio em nossa direção. As coisas rio acima tinham sido tranquilas e nós temíamos a ira da criminalidade urbana. Com os olhos em direção ao barco se aproximando, me lembrei das profecias do pescador e perguntei como seria um pirata do rio — estávamos prestes a ser encontrados?! Ele veio em alta velocidade em nossa direção, mas parecia que havia apenas um homem. O motor foi desligado e o barco de madeira encostou. O homem vestia uma regata e uma bermuda. No barco, havia uma bagunça de redes de pesca, latas de cerveja, embalagens vazias de combustível e uma caixa de isopor. Aaron estava no topo das rochas e eu estava na linha de frente das comunicações, na esperança de que, se não estivéssemos prestes a ser assaltado, eu fosse capaz de conseguir que o nosso visitante seguisse seu caminho o mais rápido possível para que pudéssemos continuar com nossas coisas. Ele tinha o rosto de um índio e todos os sinais não diziam nada sobre algo fora do normal.</p>
<p><img title="Brazil-9000-Manaus" alt="Brazil 9000 Manaus 620x413 O Banzeiro (Português)" src="http://brazil9000.com/wp-content/uploads/2012/12/Brazil-9000-Manaus-620x413.jpg" width="620" height="413" /></p>
<p>E, então, ele acenou — duas mãos acenando com dois pulsos igualmente animados e flexíveis. Um índio gay. Um sinal claro de que estávamos fora da selva e dentro dos confins do Brasil metropolitano. O rosto atrevido estava, num primeiro momento, escondido atrás de um boné untado com óleo de motor . Mas, rapidamente, ficou claro que o nosso amigo estava encantado com a nossa aparência estranha e estava cheio de perguntas.</p>
<p>Sim, eu expliquei que estávamos em uma viagem rio abaixo, filmando à medida que progredíamos. Sim, ok, eu disse. Acho que você pode nos chamar de cineastas…</p>
<p>“Aaaiiiiii! Que lindo! Tipo holliiiwuudddiii! ”</p>
<p>Hollywood?! Bem, não exatamente. “Mais ou menos”, eu respondi.</p>
<p>Tentei acalmá-lo um pouco, mas aquilo durou um tempo e eu evitei suas piscadas sedutoras mantendo meus olhos no céu, preocupado com uma mudança de tempo, enquanto Aaron esperava na rocha, pronto para filmar. Senti-me cruel ao encerrar a conversa com uma alma tão entusiasmada e amigável, mas precisávamos seguir adiante o mais rápido possível. Ele vivia um pouco acima do rio em uma comunidade indígena, um lugar “super lindo” que ele gostaria muito que nós visitássemos e passássemos a noite. Eu tive visões. Uma noite de karaokê e Lady Gaga com um toque indígena antigo, alimentado por um gerador a diesel e caixiri. Um verdadeiro  caldeirão cultural. Imaginei que poderia ter sido um bom segmento para nosso filme, mas tínhamos mesmo que sair. Ele mostrou sua decepção, revirou os olhos e fez bico. Em seguida, puxou o motor e saiu em alta velocidade, tornando-se uma silhueta de um pescador comum da Amazônia.</p>
<h2>Manaus</h2>
<p>Duas horas depois, estávamos encalhados em um banco de areia, no meio de uma baía rasa. Pense um oceano e como ele se assemelha mais do que qualquer rio. Discutimos, apontamos o nosso caminho em direção ao horizonte. As nuvens de chuva nos provocaram e uma luz foi lançada sobre a cidade e, por pouco, passou por cima de nós. Finalmente, chegamos ao cais de Ponta Negra. O forró estava tocando num volume nauseante. Na margem lamacenta do rio, com artesanato e em cima do barranco, estava Cínthia, namorada de Aaron.</p>
<p>À frente, tivemos a pausa de que tanto precisávamos, antes de enfrentar os 1.500 quilômetros no corpo principal do Rio Amazonas para Belém. O rio, a chuva e os ventos já estavam grandes o suficiente, prestes a explodir em magnitude. O banzeiro estaria correndo bem atrás de nós.</p>
<p align="center"><i>Por Gareth Jones.</i> <i>Fotos por Aaron Chervenak</i> <i>&amp; Gareth Jones</i></p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido por Matheus Begas</em></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><i> <b>©</b> </i><i>2012 Skeeto Lounge. Todos os Direitos Reservados.</i></p>
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<p><b><i>Remando de Boa Vista até Manaus:</i></b></p>
<p><i>Data: 13 de Novembro — 1° de Dezembro de 2012</i></p>
<p><i>Rota: Boa Vista — Manaus — De canoa, descendo o Rio Branco e Rio Negro.</i></p>
<p><i>Estado: Roraima e Amazonas</i></p>
<p><i>Distância percorrida: 851 quilômetros</i></p>
<p><i>Distância total percorrida da expedição: 1.624 quilômetros, 72 dias</i></p>
<p><em> </em></p>
<p> </p>
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